quinta-feira, 3 de novembro de 2011

UMBANDISTA ZEZINHO É DESTAQUE NO 10º PAPO CULTURAL


Com o objetivo de valorizar todos os saberes e fazeres históricos e culturais, como tem se destacado esse projeto, o Papo Cultural, recebeu na sua 10ª edição, no dia 28 de outubro, na casa de Antonio Conselheiro, o Umbandista José Maurício da Silva Mariano (O Zezinho).
Na oportunidade ele apresentou sua trajetória de Umbandista há 36 anos em Quixeramobim, e 31 destes, registrado na Federação Cearense de Umbanda. Pois quando não tinha registro chegou a ser preso duas vezes na década de 80. Caracterizando assim, um ato de perseguição religiosa aos cultos africanos.
Durante sua apresentação Zezinho fez questão de ressaltar que antes de ser agente de saúde e técnico de enfermagem, profissões que hoje exercem, antes foi agricultor e trabalhou no forno de cal da Betânia. Nunca usou a umbanda como profissão, destacou. Para ele ser umbandista é um chamado das divindades que cultua, fazendo oferendas às entidades e a suas manifestações de fé no Deus do universo, pois sem a sua permissão nada se realiza.
Destacou também, que a prática da Umbanda em Quixeramobim hoje é muito grande, já existe mais de 30 terreiros. Antes eram muito perseguidas pelas ditas instituições oficiais, principalmente pelas Igrejas, católica e protestante e maior ainda era a polícia. Segundo Zezinho, o preconceito continua aos cultos africanos, mas de forma velada. Alguns até aceitam, ou fazem de conta. O que é pior diz ele.
Ressaltou ainda, que os maiores freqüentadores de seu terreiro situado no Bairro da Vila Betânia, são pessoas ditas de classe média da cidade, que na hora do desespero buscam ajuda. Mas fez questão de dizer: “Não faço trabalho maléfico apenas sou intermediário”.
Outro aspecto bastante discutido durante o debate, conduzido pelo presidente da ONG. IPHANAQ, Ailton Brasil, por que os terreiros de Umbanda sempre ficam nas periferias? Foi debatido que isso é sem dúvida, a intolerância religiosa que ainda persiste mesmo velada, como foi destacada anteriormente. O massacre aos cultos africanos e as suas divindades continuam ainda hoje. Mesmo a Constituição Federal afirmando que o estado é laico, o desrespeito continua. Muitos dizem no senso comum que as manifestações da umbanda são demoníacas, só tem o intuito de fazer o mal aos outros. O que é um erro, pois na maioria das vezes quem afirma isso não conhece a umbanda, destacou Zezinho.
O público presente ao evento, a maioria estudantes universitários e de ensino médio e professores, tiveram uma grande participação no debate, pois estavam curiosos para saber mais sobre as manifestações religiosas da umbanda através nesse momento com o Zezinho, que fez questão de está vestido como no trabalho em seu terreiro. Com bem disse em sua fala. Tem orgulho de ser Umbandista!
O projeto Papo Cultural é uma conversa com personalidades que contribuem com seu trabalho, seus conhecimentos e seus saberes diversos para a difusão do patrimônio histórico e desenvolvimento cultural de Quixeramobim. É uma realização da Ong. Iphanaq e do Ponto de Cultura Patrimônio Vivo com o apoio do Sistema Maior de Comunicação.




Texto: Neto Camorim
Fotos: Elistênio Alves e Edmilson Nascimento.

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